Enquadramento da acção

O tamanho e a forma fixos da “janela do filme” podem parecer restritivos, não dando a possibilidade de alterar as proporções ou a forma do enquadramento. Na verdade acontece precisamente o contrário. A janela do filme é precisamente isso – uma janela. Mas é uma janela que pode ser movida e ampliada ou reduzida conforme se pretenda. Através do movimento nos filmes, o enquadramento é muito mais flexível e versátil do que em qualquer outro meio.

Através de um movimento panorâmico lento pode-se sugerir uma tela vasta, aberta. Usando um plano muito aproximado podemos fazer com que o espectador se sinta dentro da acção – uma técnica explorada em muitos filmes de artes marciais e de acção. E nada emocionalmente mais envolvente do que um close-up gradual sobre um rosto ou um corpo.

O enquadramento do vídeo deve ter em conta a acção que possa vir a desenrolar-se durante alguns momentos, por isso convém deixar espaço livre em volta do motivo, a fim de capturar os seus movimentos.

Um movimento que comece fora do enquadramento e depois apareça fora do enquadramento pode ser desconcertante para o espectador, enquanto poderá ser frustrante ver um que comece dentro do enquadramento e termine fora.

O enquadramento da acção ajuda-nos fundamentalmente de duas maneiras: permitindo-nos não só orientar a atenção do espectador para uma coisa ou pessoa (motivo), previamente escolhidas, como ainda influenciá-lo de modo a fazer com que os seus sentimentos reajam àquilo que lhe esta a ser apresentado segundo a intenção do autor.

Se pensar que basta apontar a câmara em direcção à cena, e deixar que o espectador a receba como entender, estará muito enganado, pois que, uma vez que parte de uma cena seja enquadrada num rectângulo, torna-se muito importante o modo como as coisas ou pessoas estão nela dispostas.

Cada imagem tem ou poderá ter um centro de interesse e, se a imagem não for composta correctamente, poderá daqui resultar a distracção do espectador que não chegará assim a ser atraído pelo nosso motivo.

Uma imagem composta correctamente e uma imagem equilibrada constituem um todo, sem espaços mortos e sem coisas ou pessoas vazias de significado. Os olhos do espectador não necessitam de vaguear por sobre a imagem, em busca de qualquer coisa que atraia a atenção. Pelo contrário, perante uma imagem bem composta e significativa, deverá antes ser difícil levar o espectador a deixar de a ver.

Regra dos Terços – Os Quatro Pontos Fortes

O importante é não colocar o centro de interesse em coincidência com o centro geométrico da imagem.

Então qual a localização ideal do centro de interesse de uma imagem? A resposta, que se presume tenha sido enunciada pelos gregos na antiguidade classica, é conhecida hoje em dia por Regra dos Terços.

Dividindo a imagem em 3 partes iguais, tanto segundo o comprimento como segundo a largura, obteremos quatro pontos resultantes da intersecção das linhas divisórias.

São precisamente estes pontos os centros das áreas de maior interesse, para colocação dos elementos principais de uma imagem.

Estes pontos são também conhecidos por Pontos Fortes da Imagem.

Este princípio está ilustrado nas figuras ao lado nas quais temos na (Fig.2), uma imagem pouco clara e desinteressante.

E na (Fig.1), os elementos dispostos de um modo que, segundo o princípio enunciado, resulta bem mais sugestivo.

Os Planos e a sua designação

Os enquadramentos de câmara, ou seja, aquilo que colocamos dentro da tela, são os planos.

Planos

 

Movimentos da câmara

No início do cinema as câmaras eram fixas, dificultando várias vezes as cenas, já que elas deveriam acontecer no campo visual da câmara. Actualmente novas lentes e novos tripés vão surgindo, possibilitando todo o tipo de movimentos.

 

Movimentos da câmara

Travelling – Movimentar a câmara aproximando ou afastando, tanto na lateral quanto na diagonal. Também se pode utilizar a expressão travelling óptico para a execução de Zoom In ou Zoom Out.

Panorâmica Horizontal – Este movimento descreve uma cena horizontalmente, podendo ser da esquerda para direita, mas existem objecções ao a fazer da direita para esquerda, pois estaria em desacordo com o modo da leitura ocidental.

Tilt ou Pan Vertical – Descreve um objecto, no sentido vertical, o movimento pode ser usado de cima para baixo, ou de baixo para cima, dependendo da intenção da descrição do motivo.

 

Regra dos 180º – Eixo da Acção

A captação de cenas obedece a uma regra de posicionamento de câmara, chamada eixo.É um eixo imaginário de 180 graus que divide a cena.

 

Eixo do 180 graus

Quebra de Eixo – Plano Cruzado

Quando uma das câmaras ultrapassa o eixo dos 180 graus, ( que usualmente  se chama de Linha de Ombros) dizemos que a câmara “Cruza o Plano“.

 

Quebra de eixo

 

(A CONTINUAR…)

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